O machismo mata sim! Através do sentimento de posse, ciúmes desenfreados. Através da imposição pelo homem de subserviência por nós, mulheres, não se tratando de uma morte como tantas outras ocorrem, mas decorrente de especificidades que somente nós, mulheres, sofremos!

Hoje é dia 7 de janeiro e já temos o registro de quatro mortes de mulheres vítimas de seus pares, ou seja, quatro casos de feminicídio, que são aqueles crimes cometidos por homens (ou que estão no papel dos mesmos) contra as vítimas mulheres (ou que estão no papel das mesmas) onde podem ter tido ou não uma relação íntima familiar, de convivência e/ou afins em decorrência da desigualdade de gênero, bem como em contextos discriminatórios, sendo esse crime o somatório final de todas as violências contra as mulheres.

Precisamos entender como ciclo de violência contra mulher se desenvolve para que essa percepção inicial possa ajudar a mulher a identificar de pronto a situação de “violência sutil” que está começando a sofrer a ponto de ter tempo para procurar ajuda, quebrando o ciclo e evitando o pior que é o feminicídio e até mesmo podendo “salvar o seu casamento” se conseguirmos conscientizar os homens a procurarem ajuda também para poderem entender seus comportamentos e a forma de como eles podem contribuir para a redução do machismo e consequente redução de toda violência que nós, mulheres, sofremos.

O ciclo de violência doméstica contra mulheres inicia por uma fase que geralmente não é muito fácil para ser reconhecida, onde um homem costuma ofender, criticar o trabalho, domestico!ou não da mulher, suas roupas, reclamar da mesma, como também de pessoas próximas na tentativa de isolar a mulher da sociedade e dos que a cerca, deixá-la com baixa-estima, fazendo inclusive com que a mulher venha a se sentir culpada pela falha, principalmente se o homem estiver com problemas no seu trabalho, por exemplo.

Essas violências psicológicas são difíceis de serem identificadas porque a mulher na maioria das vezes ainda ama ou, por total desconhecimento, não tem percepção do que está sofrendo, quando então inicia a fase da própria violência que é a física e/ou sexual, que, certamente, deixam sequelas mais amargas. Nesta fase a mulher pode acabar procurando por ajuda bem como podendo registrar a ocorrência, mas nem sempre isso ocorre de primeira.

Após vem a pior fase, a da lua de mel, quando o homem após o episódio violento se desculpa e promete o mundo e que nunca mais isso ocorrerá. Essa fase é muito perigosa e a cada vez que ela reinicia, as chances da violência ser mais agressiva aumentam, culminando na pior delas que é o feminicídio.

Em que pese a Lei Maria da Penha ter sido um avanço e estar vigindo justamente para amparar esses casos específicos, muito há que ser feito, principalmente com a questão da violência psicológica onde o Estado não criou um combate específico e efetivo e a sociedade discrimina a mulher vítima de violência psicológica, como Mulher com “mi mi mi”, como também constatamos um surgimento de efeito reverso da referida lei, ou seja, devido a alguns relatos recebidos constatamos que os homens agressores não estão se sentindo coibidos, onde justificam o crime cometido sob o argumento de que vão ser presos de qualquer jeito, batendo ou matando, como também há resistência do Estado em decretar a prisão preventiva do agressor, omitindo a análise jurídica da questão sob o enfoque especialíssimo que é a violência contra a mulher.

Enquanto caminhamos em busca de uma maior efetividade da Lei Maria da Penha e redução de toda a violência contra a mulher deixamos claro que qualquer um pode denunciar a violência contra mulher através dos telefones 190 e 180.

Como também, nós, mulheres, dialoguemos mais e procuremos ouvir mais umas às outras, pois cada relato de experiência externado nos mostra que não estamos sozinhas nessa batalha e também nos encoraja e nos fortalece para a vivência e enfrentamento dessa triste experiência.

Contribua para a redução da violência contra mulher em decorrência do machismo.

Faça sua parte!

Por Dra Barbara Ewers
Presidente AMAZOESTERJ

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *